Fevereiro/2010 – Lua Galáctica do Falcão do Ano Semente Auto-Existente Amarela
 
:: CULTURA e EDUCAÇÃO

Seminário "Helena do Sul"
Rev. Ramaces Hartwig, Ministro Francisco Paiva, Edson (CUFA), pastor Marcos Garcia, Flávio Souza e Joab Bohns
SEMINÁRIO HELENA DO SUL

A QUESTÃO DA INTOLERÂNCIA RELIGIOSA


A ênfase no Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa – transcorre a 21 de janeiro -, bem como a divulgação e convite para a então segunda edição da Marcha estadual pela liberdade religiosa e pela vida. Destaques do debate sobre a intolerância religiosa no 1º Seminário Helena do Sul, realizado em janeiro na Câmara Municipal. Iniciativa do Fórum do Movimento Negro, o painel reuniu o reverendo anglicano Ramaces Hartwig, ministro da Igreja Católica Francisco Paiva, evangélico Marcos Garcia, Flávio Souza (Congregação em Defesa das Religiões Afro-brasileiras /CEDRAB), Joab Bohns (Fed. Sul-Riograndense de Umbanda). Ainda a presença do vereador Ademar Ornel (DEM), e a mesa esteve sob a coordenação de Edson Mesquita (CUFAPel).

INTOLERÂNCIA foi salientada pelos participantes através de diferentes situações. O reverendo Ramaces mencionou artigo no qual o terremoto no Haiti é identificado como desígnio de Deus. A tragédia seria decorrência dos rituais “vodus”. Conforme o reverendo, o artigo não aborda sobre os sucessivos ditadores que pilharam o Haiti. Para o reverendo, a opinião demoniza episódio que não tem relação com a religiosidade. E ainda observou que interpretações similares, também ocorreram em relação ao Tsunami, que seria para a “limpeza dos povos pagãos”. E Ramaces acrescentou: “O Filho do Homem não veio para tirar a vida, mas para nos salvar”. Flávio Souza citou sobre Mãe de Santo em Rio Grande, que foi presa por defender o seu terreiro. Também o ataque à religião afro por grupo auto-designado pentecostal, que expressava a ação para “tirar o diabo do corpo”. Também policiais militares que invadiram casa religiosa, colocando pai-de-santo sob ameaça, pois consideravam o local como “barulhento”. O ministro Francisco Paiva – bacharel em teologia -, afirmou que professa a fé católica mas nem sempre está afinado com a doutrina. Mencionando etapas da história, tanto lembrou as perseguições aos cristãos quanto citou exemplos de intolerância. Num deles, em 1952, arcebispo Dom Vicente Scherer numa entrevista radiofônica considerou a religiosidade afro como atraso, infelicidade trazida pelos escravos que aumentaria a ignorância. Paiva também lembrou que até anos sessenta, havia a Delegacia de Costumes, responsável por coibir a prática da religiosidade negra. O pastor Marcos Garcia afirmou que atos perpetrados por grupos que se dizem evangélicos, não condizem com pressupostos cristãos. E acrescentou que, assim como terreiras, também os cultos evangélicos tem sido criticados em relação ao som durante os rituais. Exemplificando com Jesus, mencionou que Cristo crucificado foi amparado por homens “morenos”. Sua observação, no entanto, foi questionada pelo vereador Ornel. Para o parlamentar, a ciência já demonstrou que “Jesus não era branco”.

UMBANDA – Quase quinhentos centros em Pelotas. Joab está à frente da Federação. Para ele, não é fácil fiscalizar os terreiros, mas havendo denúncia é feita abordagem para aferir se a prática está sendo excessiva. A exemplo, oferendas em via pública, que prejudicam o trânsito e podem ferir ciclistas e crianças. “O maior feitiço é desejar, com o pensamento, o mal ao irmão”, disse. Em relação à Nação houve a manifestação de Nara Louro. Ela ressaltou a história dos rituais, a relação dos orixás e a natureza, bem como observou que o animal sacrificado é alimento para as pessoas. Sobras eventuais são levadas para comunidades necessitadas. E ressaltou que se orgulha de ser africanista, pelo respeito à natureza e o repúdio à intolerância.

MUDANÇAS – Flávio Souza sugeriu que, a exemplo de Porto Alegre, hospitais tenham salas ecumênicas. Assim, o enfermo poderá dispor do conforto proporcionado pela sua religião. Já o reverendo Ramaces manifestou-se favorável a retirada de crucifixos das repartições públicas, ou então a inserção de demais referências religiosas.


* Jornalista, Editor de "Cultura" do jornal Diário da Manhã. Professor de Filosofia – Pelotas/RS.
E-mail: carloscogoy@uol.com.br

* foto: Carlos Cogoy


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