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Wander Wildner retornou ao estúdio da Rádio COM |
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FESTIVAL SATOLEP CIRCUS
FASCISMO BRASILEIRO ESTÁ NO COTIDIANO
No lançamento do
Festival Satolep Circus a 17 de março, destaque ao show de Wander Wildner. Na Fábrica Cultural ele cantou para cerca de quatrocentas pessoas. O público fez coro para músicas como “Bebendo vinho”, “Amigo Punk”, “Mares de Cerveja”, “Maverikão”, “La Canción Inesperada”, “Wynona”, “Eu não consigo ser alegre o tempo inteiro” e o clássico “Um lugar do c...”. Na tarde de quarta, Wander Wildner esteve na
Rádio Com – 104.5. No retorno à cidade ele fez questão de revisitar a emissora que democratiza opiniões. No estúdio, Valdir “Manoval” Robe, Didi, Gil Fernandes e a equipe DM. Durante uma hora, o compositor e músico gaúcho abordou temas como a trajetória na banda punk “Replicantes”, etapas como iluminador de shows, radialista, produtor de tevê e as andanças na carreira solo. Em turnê pelo País, Wander conta que fechou a casa em São Paulo, guardou os móveis num depósito, pegou a mochila e o violão e colocou o pé na estrada. A ideia é ver novos lugares, outras pessoas, encontrar temas diferentes. Recentemente permaneceu duas semanas em Buenos Aires. Na Argentina, apresentou shows, perambulou pelas “
calles”, percorreu os cafés e se inspirou para novas canções. No bate papo na 104,5, abraçou o violão e dedilhou alguns fragmentos que são ‘esqueletos’ do novo repertório. Aos cinquenta anos, Wander mantém-se curioso, criativo e crítico em relação à contemporaneidade. Sobre o País e suas inúmeras contradições, Wander é incisivo: “Não entendo o Brasil como uma nação democrata!”.
CAPITALISMO – Cada vez estão mais raros os artistas com senso crítico. Em geral, prevalecem frases prontas, programadas para embalar o “produto artístico”. Com Wander, no entanto, acontece o inverso. Atento, espirituoso, flagra e discorre sobre o “festival de besteiras que assolam o País”. Diálogo, troca de ideias, escuta e fala. “Entendo que no Brasil o regime é fascista, pois a felicidade é virtual. Como a inflação foi estancada, as pessoas então podem comprar coisinhas. Assim, a classe média visita shoppings e os ricos vão para Nova York. Mas duvido que sejam felizes nos seus trabalhos. Boa parte da população tem empregos e vive pelo dinheiro. Mas não sente prazer naquilo que faz. E observamos isso na brutalidade e violência que surgem de situações como uma discussão, briga e até tiros no trânsito. Para sair dessa tolice, precisamos ir além da ‘vidinha’, criar e proporcionar algo de válido e construtivo em comunidade”.
NACIONALISMO – Natural de Venâncio Aires, ele diz que não é gaúcho mas viveu no sul. Na Rádio Com, como estava na cidade, disse que “enquanto estiver aqui sou pelotense”. Em Buenos Aires, integrando grupo de artistas brasileiros, apresentou-se como “recifense”. Para Wander, muito além da brincadeira, está o alerta para evitar bairrismos e o nacionalismo. Fronteiras, passaportes, estão aí, mas seriam desnecessários. “O nacionalismo é escroto, limita e ilude”. Saiba mais sobre a trajetória, discos e shows no site:
www.wanderwildner.com.br.