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Hemerson Ferreira,
Mário Maestri e Ester Gutierrez |
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HISTÓRIA
O TRABALHO ESCRAVIZADO NO PAMPA
Edição especial do “Quartas na Faurb”
em outubro, reunindo bom público na Faculdade de
Arquitetura (FAUrb/UFpel). Houve debate e lançamento
do livro “Grilhão Negro: Ensaios sobre a
escravidão colonial no Brasil”. Presenças
do historiador Mário Maestri – um dos organizadores
do livro –, pesquisador Hemerson Ferreira e profª.
Ester Gutierrez. Maestri destacou os vinte anos de pesquisa
sobre o trabalho escravizado. Hemerson abordou a atualidade
de mitos sobre a escravidão. Ester salientou que
a primeira charqueada em Pelotas não foi ato isolado
de Pinto Martins, mas projeto da Coroa portuguesa.
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Ele mudou a historiografia sobre a escravidão no
Rio Grande do Sul. Mário Maestri, atualmente vinculado
à Universidade de Passo Fundo (UPF), há
mais de vinte anos dedica-se a desvendar a opressão
aos negros no RS. Inúmeros trabalhos publicados,
e orientador de novas pesquisas, esteve na cidade para
divulgar o livro que organizou em conjunto com a profª.
Helen Ortiz. Trata-se do volume 16 da Coleção
Malungo, e a publicação é da editora
da UPF. Entre os autores que publicam artigos, Hemerson
Ferreira e Ester Gutierrez.
OPRESSÃO – No debate, Mário
Maestri salientou que até os anos oitenta, a escravidão
no RS era considerada restrita às charqueadas em
Pelotas. “
No Estado, narrativas mitológicas
como a democracia pastoril, trataram de encobrir, negar
e ignorar, a mais importante província escravista
do Brasil. Mas as pesquisas foram mostrando que os senhores
de terra, também eram possuidores dos homens. Portanto,
não está correta a versão do gaúcho
como homem livre, cuja síntese seria a estátua
do ‘Laçador’ em Porto Alegre. Outro
aspecto é que o trabalho escravizado não
foi submissão, pois houve diferentes episódios
assinalando a resistência”, explica.
Na fase atual das pesquisas, Maestri investiga a “economia
da fazenda pastoril”.
MITOS – Hermerson abordou sobre
o artigo “Entre a história e o mito: narrativas
apologéticas da escravidão no Brasil”.
Trata-se de adaptação de capítulo
da sua dissertação de mestrado em história
pela UPF. “
Desde os primeiros casos até
a historiografia, identifiquei vários enfoques
que buscaram naturalizar a dominação. Essa
disputa está no presente, principalmente nos congressos
de historiadores. As versões que mitificam a exploração
e opressão, continuam empolgando segmentos da historiografia.
Mas, investigando, constatei que já os jesuítas
abordavam a escravidão com visão paternal.
Alegavam que os negros eram bem tratados. No entanto,
escamoteavam quanto às fugas. Elas seriam desnecessárias
se houvesse relação bondosa. Entre os mitos
está a do negro preguiçoso e covarde, o
que contrasta com o trabalho desempenhado. Outra é
da escravidão benevolente, que ofereceria relação
melhor que o trabalho assalariado. Também a ‘generosa’,
pois resgataria da África, sendo lá uma
escravidão pagã, e por aqui cristã.
Na interpretação liberal, prevalece o senso
de que o fim da escravidão quebraria a economia
do País”, disse o pesquisador.
PELOTAS – Ester abordou sobre o
sítio charqueador, com a safra reunido dois mil
trabalhadores escravizados. Na entressafra, eles trabalhavam
nas olarias, fazendo tijolos e telhas. Projeto da Coroa
Portuguesa, o segmento charqueador impulsionou a economia,
mas deixou rastro de sofrimento. Além dos aspectos
arquitetônicos, Ester também citou os percentuais
dos trabalhadores negros e brancos.