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Outubro/2009 – Lua Auto-Existente da Coruja do Ano Semente Auto-Existente Amarela
 
 
:: CULTURA e EDUCAÇÃO
 
pesquisador Hemerson Ferreira, historiador Mário Maestri e profª. Ester Gutierrez
Hemerson Ferreira, Mário Maestri e Ester Gutierrez
HISTÓRIA

O TRABALHO ESCRAVIZADO NO PAMPA


Edição especial do “Quartas na Faurb” em outubro, reunindo bom público na Faculdade de Arquitetura (FAUrb/UFpel). Houve debate e lançamento do livro “Grilhão Negro: Ensaios sobre a escravidão colonial no Brasil”. Presenças do historiador Mário Maestri – um dos organizadores do livro –, pesquisador Hemerson Ferreira e profª. Ester Gutierrez. Maestri destacou os vinte anos de pesquisa sobre o trabalho escravizado. Hemerson abordou a atualidade de mitos sobre a escravidão. Ester salientou que a primeira charqueada em Pelotas não foi ato isolado de Pinto Martins, mas projeto da Coroa portuguesa.

Grilhão Negro: Ensaios sobre a escravidão colonial no Brasil
Ele mudou a historiografia sobre a escravidão no Rio Grande do Sul. Mário Maestri, atualmente vinculado à Universidade de Passo Fundo (UPF), há mais de vinte anos dedica-se a desvendar a opressão aos negros no RS. Inúmeros trabalhos publicados, e orientador de novas pesquisas, esteve na cidade para divulgar o livro que organizou em conjunto com a profª. Helen Ortiz. Trata-se do volume 16 da Coleção Malungo, e a publicação é da editora da UPF. Entre os autores que publicam artigos, Hemerson Ferreira e Ester Gutierrez.

OPRESSÃO – No debate, Mário Maestri salientou que até os anos oitenta, a escravidão no RS era considerada restrita às charqueadas em Pelotas. “No Estado, narrativas mitológicas como a democracia pastoril, trataram de encobrir, negar e ignorar, a mais importante província escravista do Brasil. Mas as pesquisas foram mostrando que os senhores de terra, também eram possuidores dos homens. Portanto, não está correta a versão do gaúcho como homem livre, cuja síntese seria a estátua do ‘Laçador’ em Porto Alegre. Outro aspecto é que o trabalho escravizado não foi submissão, pois houve diferentes episódios assinalando a resistência”, explica. Na fase atual das pesquisas, Maestri investiga a “economia da fazenda pastoril”.

MITOS – Hermerson abordou sobre o artigo “Entre a história e o mito: narrativas apologéticas da escravidão no Brasil”. Trata-se de adaptação de capítulo da sua dissertação de mestrado em história pela UPF. “Desde os primeiros casos até a historiografia, identifiquei vários enfoques que buscaram naturalizar a dominação. Essa disputa está no presente, principalmente nos congressos de historiadores. As versões que mitificam a exploração e opressão, continuam empolgando segmentos da historiografia. Mas, investigando, constatei que já os jesuítas abordavam a escravidão com visão paternal. Alegavam que os negros eram bem tratados. No entanto, escamoteavam quanto às fugas. Elas seriam desnecessárias se houvesse relação bondosa. Entre os mitos está a do negro preguiçoso e covarde, o que contrasta com o trabalho desempenhado. Outra é da escravidão benevolente, que ofereceria relação melhor que o trabalho assalariado. Também a ‘generosa’, pois resgataria da África, sendo lá uma escravidão pagã, e por aqui cristã. Na interpretação liberal, prevalece o senso de que o fim da escravidão quebraria a economia do País”, disse o pesquisador.

PELOTAS – Ester abordou sobre o sítio charqueador, com a safra reunido dois mil trabalhadores escravizados. Na entressafra, eles trabalhavam nas olarias, fazendo tijolos e telhas. Projeto da Coroa Portuguesa, o segmento charqueador impulsionou a economia, mas deixou rastro de sofrimento. Além dos aspectos arquitetônicos, Ester também citou os percentuais dos trabalhadores negros e brancos.
 
 
* fotos: Carlos Cogoy
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