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Setembro/2009 – Lua Elétrica do Veado do Ano Semente Auto-Existente Amarela
 
 
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Professor Mario Maia
Professor Mario Maia
CULTURA AFRO-BRASILEIRA

O TAMBOR DOS NEGROS É O PRIMEIRO RELATO SOBRE A MÚSICA EM PELOTAS


É do final da década de 1820, o primeiro registro sobre a música em Pelotas. Trata-se de relato do historiador Carl Siedler. Ele narra sobre festa na localidade do “Passo dos Negros”. O visitante descreve o que seria um “casamento de negros”, com a animação embalada pelo som de “tronco oco e revestido de couro”. A percussão é feita com os pés. Sobre a festa também há pintura do francês Jean-Baptiste Debret. A informação é do professor e pesquisador Mário Maia (UFPel), cujo trabalho de doutorado tem parte dedicada ao Carnaval de Pelotas. Ele a historiadora Beatriz Loner (UFPel), realizaram dia 23 a abertura do seminário “Contadores de histórias – contribuições da cultura afro-brasileira no imaginário da cidade”. O evento é promoção do Núcleo de Arte, Linguagem e Subjetividade (NALS), da UFPel, em conjunto com o Instituto João Simões Lopes Neto.

HISTÓRIA – Maia destacou que a história da música na cidade, detém-se geralmente na trajetória do Conservatório. Porém, há inúmeras manifestações anteriores, e ligadas aos negros. Outro documento, que também mostra o que seria a versão primitiva do instrumento de percussão “Sopapo”, é a pintura de Hermann Wendroth. O trabalho é de meados do século 19. Maia acrescentou trecho de Fernando Osório, publicado em 1922, que menciona sobre as celebrações dos negros. O autor referia-se que aos domingos e nos “dias santos”, do meio-dia à noite, os negros cantavam e dançavam no local que atualmente é a rua Saldanha Marinho. Também citou que muitos negros, provenientes da Revolta dos Malês na Bahia, ou foram revendidos para o Rio de Janeiro ou p ara Pelotas. No Rio eles criaram a sonoridade do samba. Por aqui, provavelmente também tenham influenciado a música. E o pesquisador abordou sobre o operário João “Sardinha” dos Quadros, que após a adolescência foi para Rio Grande, onde fundou a Escola de Samba Gen. Vitorino. “Sardinha” dizia que o Sopapo chegou através de casal que trouxe atabaque de Cuba. Em 1947, encontro entre os tamboreiros “Pássaro Azul” de Rio Grande e “Boto” de Pelotas. O intercâmbio proporcionou a definição do “Sopapo”, com o comprimento de um metro e a forma cônica. Nos anos setenta, declínio do instrumento, pois as escolas queriam imitar o Carnaval carioca que começou a ser transmitido pela tevê. E Maia perguntou qual o parâmetro para considerar que o Carnaval de Pelotas, nalgum momento, tenha sido o terceiro do País? Isto é mera especulação. Já ao final dos anos oitenta, Giba Giba elaborou projeto para o resgate. Em 1999, com apoio do governo de Olívio Dutra, começou o projeto “Cabobu”, que teve no Mestre Baptista o responsável pela confecção de quarenta instrumentos. Em 2000, houve as doações para entidades carnavalescas e destaques como Naná Vasconcelos. Como consequência, o grupo “Serrote Preto” de Porto Alegre, e o Odara de Pelotas, passaram a usar o tambor.
 
 
* foto: Carlos Cogoy
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