CULTURA AFRO-BRASILEIRA
O TAMBOR DOS NEGROS É O PRIMEIRO
RELATO SOBRE A MÚSICA EM PELOTAS
É do final da década de 1820, o primeiro
registro sobre a música em Pelotas. Trata-se de
relato do historiador Carl Siedler. Ele narra sobre festa
na localidade do “Passo dos Negros”. O visitante
descreve o que seria um “casamento de negros”,
com a animação embalada pelo som de “tronco
oco e revestido de couro”. A percussão é
feita com os pés. Sobre a festa também há
pintura do francês Jean-Baptiste Debret. A informação
é do professor e pesquisador Mário Maia
(UFPel), cujo trabalho de doutorado tem parte dedicada
ao Carnaval de Pelotas. Ele a historiadora Beatriz Loner
(UFPel), realizaram dia 23 a abertura do seminário
“Contadores de histórias – contribuições
da cultura afro-brasileira no imaginário da cidade”.
O evento é promoção do Núcleo
de Arte, Linguagem e Subjetividade (NALS), da UFPel, em
conjunto com o Instituto João Simões Lopes
Neto.
HISTÓRIA – Maia destacou
que a história da música na cidade, detém-se
geralmente na trajetória do Conservatório.
Porém, há inúmeras manifestações
anteriores, e ligadas aos negros. Outro documento, que
também mostra o que seria a versão primitiva
do instrumento de percussão “Sopapo”,
é a pintura de Hermann Wendroth. O trabalho é
de meados do século 19. Maia acrescentou trecho
de Fernando Osório, publicado em 1922, que menciona
sobre as celebrações dos negros. O autor
referia-se que aos domingos e nos “dias santos”,
do meio-dia à noite, os negros cantavam e dançavam
no local que atualmente é a rua Saldanha Marinho.
Também citou que muitos negros, provenientes da
Revolta dos Malês na Bahia, ou foram revendidos
para o Rio de Janeiro ou p ara Pelotas. No Rio eles criaram
a sonoridade do samba. Por aqui, provavelmente também
tenham influenciado a música. E o pesquisador abordou
sobre o operário João “Sardinha”
dos Quadros, que após a adolescência foi
para Rio Grande, onde fundou a Escola de Samba Gen. Vitorino.
“Sardinha” dizia que o Sopapo chegou através
de casal que trouxe atabaque de Cuba. Em 1947, encontro
entre os tamboreiros “Pássaro Azul”
de Rio Grande e “Boto” de Pelotas. O intercâmbio
proporcionou a definição do “Sopapo”,
com o comprimento de um metro e a forma cônica.
Nos anos setenta, declínio do instrumento, pois
as escolas queriam imitar o Carnaval carioca que começou
a ser transmitido pela tevê. E Maia perguntou qual
o parâmetro para considerar que o Carnaval de Pelotas,
nalgum momento, tenha sido o terceiro do País?
Isto é mera especulação. Já
ao final dos anos oitenta, Giba Giba elaborou projeto
para o resgate. Em 1999, com apoio do governo de Olívio
Dutra, começou o projeto “Cabobu”,
que teve no Mestre Baptista o responsável pela
confecção de quarenta instrumentos. Em 2000,
houve as doações para entidades carnavalescas
e destaques como Naná Vasconcelos. Como consequência,
o grupo “Serrote Preto” de Porto Alegre, e
o Odara de Pelotas, passaram a usar o tambor.