SEMÍRAMIS
Semíramis nasceu no Egito há tempos imemoráveis.
De tudo foi um pouco em suas inúmeras existências
até que da dor e do sofrimento, da alegria e do
êxtase, a Grande Sacerdotisa acabou brotando.
Rainha nas artes do canto e da dança, precisa nos
dons da massagem, enlevava deuses e humanos sem deixar
de ser humana, sem deixar de conviver com as próprias
limitações.
Assim como encantava, sabia que faltava muito, que o desenvolvimento
era eterno e que por enquanto nada a satisfaria. Por mais
que criasse, o coração continuava vazio.
Um dia então tomou a grande decisão. Resolveu
nascer dentro da sua polaridade.
Procurou, procurou, até que achou. Encontrou um
astrólogo judeu, um cabalista, querendo encarnar.
Era um intelectual, um estudioso que já estava
cansado de estudar. Na verdade nem acreditava mais naquilo
que estudava.
Feito o pacto, voaram para cá.
Não é nada fácil nascer dentro da
polaridade. Tudo é do outro, tudo cabe ao outro,
apenas o outro é quem decide, apenas o outro é
quem aparece.
O silêncio do não-ego é muito sofrido.
E no começo então ela se perdia.
Estava cansada de olhar para trás e não
ser vista, enquanto o outro olhava para frente e tudo
via. Mas ela sabia que ele não via era nada.
Seu parceiro dormia placidamente enquanto gabava-se para
si mesmo disso ou daquilo, assim como ela se recordava
de tantas vezes também ter feito.
Logo Semíramis foi encontrando o jeito e assumindo
o comando. Valia-se das fraquezas, dos medos e desejos
do parceiro para encaminhá-lo aonde queria.
Levou-o muitas vezes para dançar deixando-o na
esperança de fantasiosas experiências sexuais.
Infernizava suas noites criando desassossego, insinuando
que ali ou acolá poderia encontrar uma novidade
inusitada.
Gerou vícios e avidez desesperada, encontros e
desencontros, que querendo ou não foram se constituindo
em grande experiência para o parceiro. Acostumado
apenas às mesas de estudo, com as vistas enfraquecidas
pela luz das antigas velas, o cabalista não conseguia
se concentrar em seus projetos, mas devido ao cabedal
de conhecimentos amplamente potencializados pela esperteza
da parceira interior, ia se virando, tocando a vida na
matéria e é claro, também não
se sentindo nunca satisfeito.
Passou perdas e decepções, algumas que causaram
intenso sofrimento, mas a sacerdotisa não saia
de perto, insinuando, instigando, quase que o tempo todo
sem trégua.
Acabou se entregando. Buscou ajuda na espiritualidade,
recordou suas antigas habilidades e decidiu mergulhar
cada vez mais nos mundos sacerdotais.
Passou por inúmeras terapias, desenvolveu movimentos,
danças, cantos e massagens. E apesar da grande
rigidez corporal (ou mesmo em razão disso), foi
descobrindo em si muitas maravilhas.
Era Semíramis quem tudo conduzia, ainda que o parceiro
nem desconfiasse.
Mas as dicas foram se sucedendo e um dia estes dois haveriam
de se reconhecer e se reencontrar, criando quem sabe a
sagradíssima oportunidade de se unirem e se integrarem
numa única individualidade.
O milagre estava feito e o que aconteceu em seguida cada
um mesmo terá que descobrir, assim que puder encontrar
e abraçar tão plenamente a sua polaridade
que adversidade alguma terá mais o poder de separar.
* Engenheiro Eletricista, Astrólogo,
Tarólogo, Terapeuta Holístico e praticante
de Xamanismo – Cotia/SP.
E-mail:
sfrug@uol.com.br
Junho/2009 – Lua Cósmica da Tartaruga do
Ano Tormenta Elétrica Azul
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Honre o Divino em você, honrando
o Divino nos outros.
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