Fevereiro/2009 – Lua Galáctica do Falcão do Ano Tormenta Elétrica Azul
 
:: CULTURA e EDUCAÇÃO

Rapper pelotense "Kaffu" há cinco anos é convertido
ao Islã
HIP HOP

SOM DE PRETO SEM FRONTEIRAS


Em visita à cidade natal, Vinicius Madruga Simões – rapper Khaffu –, no estúdio do amigo "Menega", gravou faixas do novo CD "Fankologia". Também esteve no show do MV Bill, e reencontrou integrantes do movimento Hip Hop. Desde 2003, convertido ao Islã, como muçulmano se identifica Ali Jamal Shabbazz. Biólogo, nesta semana retornará a São Paulo.
CD "EP" lançado há dois anos, tem sete faixas, e conta com participações do africano Milli, afegão Farhad Kazizadha, B-Negão e Dom Negrone (Rio de Janeiro), Emerson Nunes, Vaguinho No Treta, Dom Brown 12 Máfia e Guimas (Pelotas). No encarte, citações do Alcorão.
Pra escutar na Internet: www.myspace.com/khaffu.
E-mail: khaffu10@hotmail.com.

Aquele que fizer um bem, quer seja do peso de um átomo, vê-lo-á; e aquele que fizer um mal quer seja do peso de um átomo, vê-lo-á. Versículos do Nobre Alcorão Sagrado, que constam no encarte do CD do Khaffu. Desde 2004 fora de Pelotas, ele residiu em locais como Montenegro e Rio de Janeiro. Sua atividade profissional exige viagens a Goiás e Mato Grosso. As andanças têm proporcionado inúmeras experiências, contatos e aprendizado. Essa diversidade está presente no CD, cuja primeira faixa é Hakuna Mipaka. Conforme Khaffu, o significado é "Sem fronteiras". E a proposta está presente nas participações, pois o rapper conta com os vocais do africano Milli que canta em suarili, e o afegão Farhad que canta em farsi. Essa interação contrasta com o português de Khaffu, cujos versos falam de negritude e locais como a Cohab Tablada. A gravação ocorreu em Porto Alegre, e a sonoridade da base escolhida é ótima.

2001: no Hip Hop contra a fome
CURTIÇÃO sonora é funk de 2004. Já "Mentes em raciocínio" conta com BNegão (ex-Planet Hemp), e foi gravado no Rio de Janeiro. Em "Saudades", participação do irmão Vaguinho, num Rap com levada soul. Som de preto também com BNegão é de 2004 e tem Emerson Nunes no cavaquinho e percussão, Menega no baixo. "Essa é pros guri" é Rap que dialoga com a sonoridade gaúcha. "Não é o fim" foi a primeira música, escrita em 2002.
Participando da ONG "Lanceiros Negros" em 2002

HISTÓRIA - Samba e black music ele ouvia em casa na infância. Adolescente, as festas na B-52. Período em Alegrete também, onde sentiu a intensidade da discriminação racial. Inquieto, passou a ouvir o Rap do Racionais, Gog, DMN e Sistema Negro. Na ONG Griô, participou das reuniões de jovens negros. Em 1996, criou o "Revolta Black", grupo que durou até 2004. A conversão ao Islã, explica, foi influenciada por referências como Malcolm-X. Neste ano participa do CD "Muhamed Yahya de Blind Alphabeatz, que reside em Londres.


* Jornalista, Editor de "Cultura" do jornal Diário da Manhã – Pelotas/RS.
E-mail: carloscogoy@uol.com.br

* fotos: Vilmar Tavares – Visite: www.flickr.com/photos/tavaresvilmar


Fevereiro/2009 – Lua Galáctica do Falcão do Ano Tormenta Elétrica Azul

Permitida a reprodução em qualquer meio, desde que citada a fonte e mantidos integralmente todos os créditos.
Honre o Divino em você, honrando o Divino nos outros.