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Vilmar Tavares |
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| Jeferson
é o primeiro filósofo
clínico de Pelotas |
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FILOSOFIA CLÍNICA
DESVENDANDO ESTRUTURAS DE PENSAMENTO
O saber filosófico como substrato à
clínica terapêutica. Sistematizada há
mais de dez anos pelo gaúcho Lucio Packter, a Filosofia
Clínica é especialização acessível
a graduados em filosofia. Em Pelotas, o primeiro filósofo
clínico é Jeferson Pons Cruz, que concluiu
a formação ano passado. Habilitado à
prática, ele informa sobre a proposta terapêutica.
Contatos: 3302.6488; 9147.0378. E-mail: jefersonponscruz@hotmail.com.
Ansiedade, angústia, incerteza, mágoa, desmotivação,
conflitos. O cotidiano estressa, a história pessoal
sofre aos solavancos com perdas e dores. Algumas das inúmeras
causas de mal-estar, desconforto e sofrimento psíquico.
A filosofia, precursora conceitual de áreas como
a psicanálise e psicologia, além da pesquisa
e sala de aula – lei recente autorizou o retorno
à escola –, também dispõe de
viés clínico. A proposta que está
prestes a completar quinze anos, e foi alvo de polêmica
na década de noventa, expandiu-se no País
e exterior. Para clinicar, o graduado em filosofia –
principal exigência –, tem de cursar a especialização.
O pelotense Jeferson Cruz ano passado concluiu a formação,
participando das etapas ministradas pela equipe do Instituto
Packter.
ESPECIALIZAÇÃO –
Jeferson é licenciado em filosofia pela UFPel,
onde também cursou a especialização
em Filosofia Moral e Política. A especialização
em filosofia clínica, conforme explica, teve duração
de dois anos. A parte teórica garante o Certificado
B. Já a prática clínica é
que faculta o Certificado A, habilitando para a filosofia
clínica. Reconhecida pelo Ministério da
Educação (MEC), a especialização
também já é oferecida a distância.
Jeferson conta que já obteve alvará na Prefeitura,
identificando-se como terapeuta. Sua proposta inicial
é o atendimento a domicílio.
CATEGORIAS – À medida que
é procurado por ‘partilhante' – designação
adotada –, o filósofo clínico tem
de obedecer rigoroso Código de Ética. Ele
não pode prejulgar, diagnosticar ou inferir avaliação.
Conforme Jeferson, a relação estabelecida
será como ‘caminhar de idéias'. O
filósofo clínico frisa que o partilhante
não terá de ler textos áridos, nem
peregrinar por reflexões de pensadores que remontam
à antiga Grécia. A história do pensamento
ocidental, apreendida pelo filósofo durante a formação
acadêmica, estará permeando a prática
que dispõe de etapas bem definidas. Assim, através
de encontros com duração de cinqüenta
minutos cada, o filósofo estará gravando
os relatos do partilhante. Somente com as informações
coletadas é que poderá ser avaliada e organizada
uma teoria. Trata-se de inicialmente localizar existencialmente
o partilhante. Com isso, são examinadas categorias
como assunto, circunstância, lugar, tempo e relação.
Na base disso, a contribuição de pensadores
como Aristóteles e Kant. Entre as ferramentas pode
estar – cada caso é singular –, o empirismo
de John Locke.
ESTRUTURA DE PENSAMENTO é o desafio
a ser desvendado pelo filósofo clínico.
Para isso, considera que, como definiu Arthur Schopenhauer,
cada um tem sua ‘representação'. Mas,
com base nas falas e informações do partilhante,
o filósofo vai detectando tópicos. São
trinta. Alguns: como o mundo parece; o que acha de si
mesmo; emoções; pré-juízo.
Por conta das interseções, relações
com o outro, as estruturas de pensamento oscilam, alteram-se.
A estrutura expressa-se através de submodos informais.
São 32. Para entendê-los, recursos como a
argumentação derivada, esquema resolutivo,
ou até a reconstrução, possibilidade
baseada em autores como Ludwig Wittgenstein.
| foto:
divulgação |
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| Lucio
Packter sistematizou a alternativa |
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PRINCÍPIOS DA FILOSOFIA CLÍNICA
O filósofo clínico deve manter sigilo
quanto às informações confidenciais
de que tiver conhecimento no desempenho de suas
funções. Uma das recomendações
do Código de Ética da Atividade de
Filósofo Clínico. A postura deve ser
de ‘respeito, honestidade e carinho'. Como
princípios, estabelece que "tanto para
a colheita das categorias, como para o estudo do
histórico da Estrutura de Pensamento da pessoa
e para a aplicação dos submodos, devemos
nos basear, única e exclusivamente, nos dados
literais e lógicos, via bom senso, que por
ela são fornecidos, com o mínimo de
agendamento possível. Então, a priori
não podemos classificar a pessoa em tipologias
e-ou usar teorias pré-definidas, tentando
enquadrá-las em uma delas".
ORIGEM remonta à década
de oitenta. Lúcio Packter que, além
da filosofia, possui formação em psicanálise
e psicologia, observou os aconselhamentos feitos
por filósofos na Holanda e Alemanha. Motivado
pela possibilidade aberta à filosofia, ele
sistematizou ‘filosofia clínica'. O
curso de especialização tem se expandido,
e já é ministrado em diferentes localidades.
Na Internet: www.filosofiaclinica.com.br. |
* Jornalista, Editor de "Cultura" do
jornal Diário da Manhã – Pelotas/RS.
E-mail:
carloscogoy@uol.com.br
Janeiro/2009 – Lua Rítmica do Lagarto do
Ano Tormenta Elétrica Azul
Permitida a reprodução
em qualquer meio, desde que citada a fonte e
mantidos integralmente todos os créditos.
Honre o Divino em você, honrando
oDivino nos outros.
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